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Defenders - Netflix


Defensores tem uma dura pretensão de unir pontas soltas de cinco temporadas que a antecedem, garantir a união e funcionamento de quatro universos “diferentes”, e por cima ditar novos rumos para esses. Parece muita coisa para 08 episódios, mas não é, isso é cumprido, a falha maior da série não será essa. Com a ação bem dividida, falta de protagonismo do Demolidor para melhor espaço a outras três perspectivas, em especial a do Punho de Ferro, o roteiro tenta dar uma costura de forma que “todos interajam”, fazendo certo peso em momentos que a narrativa precisava desenrolar de vez; A falta de ação nos primeiros episódios não chega a soar incômoda, justamente por desenvolver uma motivação que levará cada antiherói a “trabalhar em equipe” (menos aqueles apaixonados irracionalmente), ELA SE TORNARÁ incômoda mesmo depois que a turma for estabelecida, e o telespectador se der conta de que não há o antagonismo tão necessário para sustentar a briga. “Defensores” não define sua curta meta: Uma hora quer soar como um trabalho fora da caixa, urbano e alheio aos trajes e universo superheroístico (essa palavra existe?!), enquanto outra segue os clichês de velhos gibis com aliança de vilões e coadjuvantes, ambos com planos unidimensionais. É tanto uma montanha de emoções e pequenos contos mal resolvidos, que chega a ser difícil se processar e colocar em palavras o que foi visto, mas vou tentar.

Cage: Já tracei a detetive, a enfermeira, e a outra detetive. E vocês?

Na trama, um abalado Punho de Ferro sente-se próximo de realizar “seu destino” dando fim à organização milenar Tentáculo, embora lhe seja cada vez mais perceptível que a ingrata tarefa não será concluída apenas por ele e sua habilidade com os punhos. Matt Murdock lida com certa exclusão de seus amigos mais próximos advindo da dura descoberta do que “apronta pelas noites”, e semelhante a um dependente químico, luta contra qualquer recaída ao vigilantismo, tentando se convencer de que pode mudar o mundo apenas dentro do tribunal. A cena em que Matt explica a um rapaz cadeirante a dureza de sua nova condição é de uma sensibilidade muito bem sacada do personagem. Luke Cage sai da cadeia como se nada tivesse acontecido, enquanto Jessica Jones continua sem rumo, e negando um pedido de investigação de uma mãe com uma filha, a maneira como a investigara vai entrar na trama pode soar como a mais forçada, graças ao telefonema suspeito. Cada um dos quatro, tem a obvia iluminação dos cenários com sua “cor tema”, o que se pode fazer pesar mesmo é a transição de foco nada sutil de um para o outro.

Cadê o exército do Stick? Bem, o orçamento não deu...


Pausa pro café.
Feitas as apresentações, a que mais vale destaque é entre Danny Rand e Luke Cage. Passada a ótima e obrigatória luta de desentendimento, o diálogo de prejulgamentos de um contra o outro é mais violento que as porradas que trocam (epa). Ao tempo que Murdock tenta colar na Jones, mas sem o mesmo brilho da dupla anterior, conduzindo ao famoso quebra pau do trailer, e todas as piadinhas possíveis –e justificáveis- sobre um cachecol.

A vilã Alexandra – A Grande (Sigourney Weaver) não é feita com desinteresse como eu havia visto em alguns comentários, pelo contrário, ela é um dos poucos aspectos mais objetivos do show: uma secular conquistadora amarga querendo viver mais e continuar liderando tudo, com todos os servindo. Sua dominação do mundo é mais sistemática que a maioria dos vilões, tanto que na lógica dela, um grupo fantasiado é só “poeira e pó” que pode ser derrubado de um dia pro outro, tal qual alguma cidade no caminho dos planos, assim como convence até certo ponto a “filha” que ela vê na ninja assassina Elektra. O empecilho aqui com alguns dos “super-vilões” são eles serem fodonizados previamente, e na hora do “vamo ver” não convencerem. Como exemplo do japa “desovador de urso” e “dono da coleira do Nobu”... Isso enquanto Elecktra se mostra mais eficiente sozinha que todo o exército que a acompanha, ao ponto de dar uma lição na equipe várias vezes, parecendo algumas vezes o “Nêmesis” do game Resident 3 dada a “imortalidade” e “insistência” na caça. cenas de invasão de vários capangas também lembram o jogo...)

Estamos cercados e pondo inocentes em risco, mas dane-se, vamos fazer um sorrizinho e uma pose cool.


Defensores falha ao tentar enganar como série urbana, quando seu núcleo maior é no misticismo. Portanto não abraça de vez o conceito do Tentáculo com ninjas que se dissolvem, e coloca seus protagonistas em constante descrença com todo lado “fantasioso” da proposta. Tenta abraçar um realismo que tropeça no caricato fato dos antagonistas terem chance de assassiná-los várias vezes e o deixar passar pela conveniência. O ritmo não pesa tanto quanto “Jessica Jones”, a ação é interessante, embora no final, se recapitulado com calma tudo o que foi visto, vai ficar o gosto amargo de uma esperança em longo prazo não compensada.


Nota: 6.6

CINCO TÍTULOS QUE FARIAM DIFERENÇA NAS HQS



“Hoje em dia eu não compro mais nada atual, só mesmo encadernados de materiais antigos”, vai, não vai, essa frase é dita em alguma discussão sobre quadrinhos. É nítido o descontentamento de boa parte dos fãs veteranos, seja por não ter dado mais chance para personagens que cresceu lendo, ou mesmo por tentado e se decepcionado com essa chance que deu. Quadrinhos como qualquer outra coisa, são um negócio, um comercio, e por mais que me doa admitir isso, é economicamente (leia-se multiplicação de lucros) viável que os quadrinhos sejam nada mais que uma ferramenta para se obter mais dinheiro, logo isso se traduz em aquele editor de décadas passadas que trabalhava por dinheiro e prazer no que fazia, deu local ao editor que não se importa mais com os personagens, que se faça o que quiser com eles, contanto que venda. Tudo vai ficando mais frio e automático, até mesmo a sessão de cartas que era a alegria dos leitores deu lugar a discussões acaloradas na internet, que só gera mais marketing. É o famoso “fale mal de mim, mas fale de mim”. Hoje mesmo eu estava agora pouco lendo umas quinze pessoas discutindo entre si sobre o novo uniforme da Mulher-Maravilha, ou seja, o quadrinho mal estreou, uma porrada de gente xinga a escolha, mas o material vai vender ainda mais, já que muita gente curiosa vai querer conferir, se brincar, até eu. Eu nem sou tão velho e já reconheço que a magia se pegar uma extinta Wizard na banca para ver algumas dicas e entrevistas sobre o que poderíamos esperar nas histórias... Se foi. 
Apesar do público em sua maior força intelectual que acompanha quadrinhos ter se diluído bastante nos últimos dez anos, e não serem necessariamente o alvo das editoras, ainda existem aquelas jogadas que nos vibramos quando determinada equipe criativa se junta, saímos da “mesmice” e procuramos ler aquilo. Afinal é questão de referencial, se você lê trabalhos simetricamente sintonizados como Watchmen do Moore e Gibson ou Hellblazer do Ennis / Dillon, logo você vai se referenciar naquilo e pegar aquele material. Eu fiz uma lista com alguns dos melhores profissionais (para mim) dos últimos anos, tanto em roteiro, quanto em arte, que eu não piscaria em colecionar esses imaginados materiais. Alguns da lista já trabalharam juntos e outros poderiam ser ótimas combinações.


1.  Wolverine – Jason Aaron e Steven McNiven


Essa foi a mais fácil de escolher, e realmente eu não entendo o quanto não pode ser lógico para a Marvel colocar esses dois juntos. Não li toda a fase do Wolverine que Aaron fez, mas é fato que ele é um dos melhores escritores que já trabalhou com o Wolverine. Ele simplesmente tira Logan de todas as histórias açucaradas que ele estava tendo e faz o personagem voltar à essência de guerreiro solitário e indomável. Enquanto McNiven, é sem dúvida, o melhor ilustrador do Wolverine para mim, sua arte em Velho Logan é sem dúvida o ponto mais alto em toda a revista. Como eu já disse anteriormente, deviam ter dado um trabalho digno a ele ao invés de desperdiçá-lo na Morte do Wolverine.

2.  Capitão-América – Mark Millar e Bryan Hitch


Supremos I, II e Quarteto Fantástico (embora esse não tenha sido todo desenhado pelo Hitch). Supremos sem dúvida é considerado o ápice criativo de ambos, mas se teve algo que eu notei neles foi a capacidade que tiveram em tornar o Capitão-América um dos melhores personagens do século XXI. E Hitch nasceu para desenhar o Capitão, tal qual McNiven para Wolverine, é aquele tipo de fenômeno que o desenhista consegue ter um empenho ainda maior quando trabalha com tal personagem. Esse sonho dos dois juntos aqui é um dos mais difíceis, visto que Mark Millar não leva mais nada a sério nos roteiros, e Hitch está na DC lançando uma Ligaque ele escreve e desenha.

3.  Super-Homem – Mark Waid e Frank Quitely

 

Pelo que meu ex-parceiro disse nesse post, aparentemente Waid teve bastante frustração com a DC, de fato eu só vi matérias dele sendo lançado pela Marvel ou Image, enquanto Frank Quitely dá (opa) ultima vez que eu tive notícia, estava fazendo uma versão de Watchmen com Grant Morrison, só que dessa vez com os personagens da extinta Charlton Comics. Mas é outra associação bastante lógica, junte o cara que escreveu Reino doAmanhã com o brilhante cara que desenhou Super-Homem Grandes Astros em uma mensal. Todos os coroas magoados com a DC fariam as pazes com ela e voltariam a colecionar as atuais.

4.  Hulk – Brian Azzarello e Mike Deodato Jr


O único trabalho do Brian com o Hulk foi “Banner”, e não foi apenas mais um trabalho, foi “o trabalho”, em cem páginas nós somos envolvidos em um conto sobre luta interna que afeta todo o mundo. E Brian não é do tipo que só sabe escrever bem em algo fechado, ele é um raro escritor que consegue escrever mensais com padrão de Grafic Novels. Agora junte ele com o nosso BR Mike Deodato Jr, reconhecidamente um dos melhores ilustradores do Hulk. Seria estabelecido um padrão de qualidade que meteria muito medo em quem continuasse o título depois deles.

5.  Liga da Justiça – Brian M. Bendis e Stuart Immonen



Brian M. Bendis deve dormir com uma camisa da Marvel, porque de fato ele é um tipo de profissional que eu no lugar da Marvel o manteria sempre. Sua “fidelidade partidária” fez com que ele fizesse de tudo um pouco com o universo, desde moldar o universo Ultimate, trazer o Vingadores de volta para a linha de frente, aumentar a qualidade do Demolidor e por ai vai. Marvel não seria isso tudo sem o Bendis, dizem que o equivalente dele na DC é o Geoff Johns, sendo assim, nessa infelizmente a DC perde ao meu ver. Já Immonen é um artista ágil e competente, já trabalhou com Bendis em várias vezes, em especial New Avengers. A DC contratando esses dois caras e colocando no título da Liga seria a virada de mesa. Uma manobra dessa iria tirar mais tudo das costas do Batman que tem excesso de títulos nas bancas e pluralizaria a preferência dos leitores. Por que? Bendis fez exatamente isso na Marvel, de todas as jogadas, essa seria a que de fato colocaria a DC como número 1.

E vocês? Quais equipes escalariam? Gostaria de abrir aqui a possibilidade de quem se interessar fazer uma parte 2, 3 e quantas quiserem desse post, ou de qualquer outro que tenha aqui com lista no blog.


Força e honra. 

MORTE DO WOLVERINE (ou algo parecido)



Fui ler na expectativa de algo no nype do Velho Logan: me decepcionei. Faziam anos que eu esperava ver o Mcniven desenhando o Wolverine outra vez com o traço realista, dinâmico e hachurado que ele faz... A história prometia ser épica, mostrando um “fim” para o Wolverine, com ele confrontando seus principais inimigos até a sua morte. Foi isso? Sim, mas não de uma maneira densa e memorável como deveria ser.


Sinceramente é o tipo de história em que não a muito que dizer, tudo mais parece um curta metragem B de baixo orçamento, apesar de ter o McNiven, até ele demonstra baixos sinais de envolvimento como em Velho Logan em que cada quadro era uma arte única... A história começa até bem, mostrando o Logan sem o fator de cura sabendo que vai ser abatido em breve, por algum inimigo ou outro que o procura, o roteirista poderia ter estendido isso a reais confrontos sangrentos, poderia ter aproveitado a chance de trabalhar com o McNiven e se esforçar para fazer o trabalho de sua vida, sintetizando toda a violência e drama que a existência do Logan representou, seus quase 200 anos de vida, ele pdoeria ter dividido em enredo dedicando cada edição a uma história fechada de uma fase do Wolverine, como quando serviu nas primeiras guerras mundiais (inclusive servindo com o Capitão América em 1942 se não me engano) histórias extras entre outros períodos importantes da vida dele, Mariko no Japão, fase Do caolho em Madripoor, começo nos X-Men, como ele viveu depois de fugir do Arma X... Justamente esse ultimo se interligaria com o final dessa história, onde ele acaba encontrando o Dr. Cornelius, mas não, é bem mais conveniente fazer algo improvisado, com personagens surgindo e saindo do nada sem nenhuma explicação plausível... E ainda tem gente que reclama do “O que aconteceu ao cavaleiro das trevas?” que o Neil Gaiman fez, dizendo que é “sem sentido”...



Roteiro:Charles Soule
Desenhos: Steve McNiven


Nota: 4.0

HULK E COISA – GOLPES SUJOS



Roteiro: Bruce Jones
Desenhos: Jae Lee

"Certo, eu entendi. Você não estava escutando Ross, só estava escutando Destino chamando você de monstro inútil." 

Li em algum lugar certa vez que “A morte é única profissional que não brinca em serviço”, sem querer se chato, mas já sendo, isso a cada dia me parece ser uma verdade. Eu imagino que quando se é um roteirista, seja de quadrinhos ou cinema, principalmente de quadrinhos, o profissional tenha uma série de três tipos (pelo menos eu acho) de histórias rabiscadas:

·    Algumas que ele pode adaptar para um outro personagem (um conceito volúvel).
·    Ideias que ele já tenha para determinados personagens;
·    Ou reunir o que o personagem possui para fazer uma história sem nada demais.

 
É sobre essa terceira que essa HQ é. Não tenho muito do que reclamar, afinal eu tive mais da arte impecável do Jae Lee, infelizmente não se encaixando muito com o Hulk, que sempre fica melhor com artistas como Mike Deodato Jr ou Adam Kubert, que sabem definir as proporções de monstro melhores. Eu acho que eu me trancaria em uma sala igual fez o Mercenário em Justiceiro Max, para arrancar da cabeça uma história impar para o Jae Lee desenhar, eu jamais encararia como mais um trabalho tapa buraco, como Bruce Jones encarou, daria o meu melhor. E Bruce Jones não é ruim, fez arcos muito bons com o Hulk (apesar de alguns descontentes), soube trabalhar as histórias de Bruce Banner o colocando como um andarilho caçado, cercado de traições, pena ele ter alongado esse material, que ficaria perfeitamente bem em uma edição com 24 páginas, ao invés de 100.
  Nem se pergunte como o porquê, apenas tenha em mente que a história começa com o Coisa indo ver Bruce Banner em um bar no meio de um deserto, para uma conversa “entre amigos monstros”, sobre quem é o mais forte, além de trazer revelações sobre os “bastidores” do primeiro combate entre ambos, que ocorreu em uma das primeiras edições do Quarteto Fantástico, acho que a #6 ou #7, lá pelos distantes anos 60... Serve mais pela nostalgia, principalmente se você é um leitor como eu, que gosta de ouvir menções sobre histórias que quase ninguém leu (pelo menos nos dias de hoje, com essa geração cineminha pipocão Marvel Studius), como a história #5 do Quarteto, onde eles encontram o Doutor Destino pela primeira vez e ele os manda para o passado, onde eles se disfarçam de piratas para pegar um tesouro do Barba Negra... Jeph Loeb também referenciou essa história no temido Homem de Ferro de “Heróis Renascem” nos anos 90...
Mas o ponto é: O que mais isso tem? Resposta: Nada. O que deveria ser um acerto de contas termina em um tímido empate, se Bruce Jones quis, pretensiosamente, fazer um conto com dois dos maiores lutadores pesos pesados do universo Marvel, sem recorrer a uma luta intensa, e sim a um duelo verbal, que fizesse algo memorável, com lições... A única que eu aprendi foi de um profissional recebendo uma boa grana, para trabalhar com um excelente artista e como Warren Ellis no post anterior, fazer algo regular sem sentir remorso. O que será que aconteceu com os perfeccionistas por qualidade como o Alan Moore e Frank Miller nos anos 80?

Nota: 4.4





APENAS LEIA ESSAS 10 HQS FECHADAS




    Não é preciso muitas páginas para se contar uma história brilhante, quando se há envolvimento real para se criar, são feitas narrativas que sempre serão lembradas. Fiz uma seleção com 10 HQs que falam por si só, onde em boa parte não é preciso ter nenhum conhecimento prévio para ler, são apenas histórias fechadas, cada qual com lições de vida e ótimas reflexões (talvez não a do Lobo), todas ficaram na minha memória, vejo como justo elas serem compartilhadas adiante, vou falar com o Sr. Itálo Azul para ele fazer uma parte 2 desse post com a seleção dele, agora vamos ao material:



10. Lobo V.S Papai Noel – Por Alan Grant e Simon Bisley –


 “E então? Por que o coelhinho respeitável arranjou um encontro com o maioral?”

Ainda hoje eu não gosto do Lobo, acho ele um personagem otário, e tudo mais, só que me rendi a essa história, ela é tão sem noção, tão “The zueira never ends” que com o passar dos anos eu acabei gostando dela. Ela não tem nada de complexo, é a simples história desse mercenário virtualmente invencível (menos contra o Super-Homem no Injustice Haw haw haw) chamado Lobo, sendo contratado pelo Coelhinho da Pascoa (na história um alcoólatra depressivo e mafioso) para assassinar o Papai Noel, que passa longe de ser um velhinho inofensivo como mostrado na imagem, tudo isso no traço genial do Simon Bisley. Fizeram até um fan film adaptando essa HQ, só que artes como a do Bisley são como as do Miller em Sin City para mim: inadaptável.



Nota: 5.8






09. Batman – Lenda Urbana – Por Bill Willingham e Tom Fowler –


 “Acha mesmo cretino? Sei o que está pensando... Que andei lutando e que devo estar muito ferido para arrebentar um verme larápio como você. Seu cérebro minúsculo deve estar pensando que se me matar... Algo que tantos tentaram e não conseguiram... Você irá se tornar o maioral do submundo de Gotham. Mas já pensou no que vai acontecer se falhar? Será que alguém sentirá sua falta, quando você desaparecer da face da terra, como milhares de outros que buscaram minha morte e fracassaram e nunca mais foram vistos?”

Batman é um dos maiores gênios táticos dos quadrinhos, ao nível do Ozymandias, Magneto, Ciclope, Capitão América, Homem de Ferro, Lex Luthor... Mas quem conseguiria derrotar ele em uma luta, ao ponto de espancá-lo tanto ao ponto dele cair de um prédio e perder boa parte da memória, inclusive de como lutar? É dessa premissa que parte esse rápido conto do Batman, mostrando ele passando por situações quase extremas de vulnerabilidade, até um final bem interessante, que pelo menos me surpreendeu a primeira vez que eu li, os mais atentos vão sacar o truque da história antes dela acabar.


Nota: 6.1



08. Val – Na Sala de Espera – Por Vagner Francisco e Anderson Cossa -

 

“É o que diz na capa—“

O que eu mais gosto no Val é o seu discurso underground e realista sobre a vida, bem como algumas situações bem criativas que o autor dele o coloca, como ele encontrando o Esqueleto (arquinimigo do He-Man) ou participando de uma banda com o Alan Moore e o Grant Morrison, todas essas histórias estão nesse arquivo para download, mas a minha preferida é a do título “Na Sala de Espera” com o Val mandando a real em uma mulher que vem falar sobre o por quê o Super-Homem não poderia ter um filho com a Lois Lane... Um verdadeiro Fatality verbal, não só na personagem, mas para boa parte dos leitores em relação à hipocrisia que sustentam em relação ao “apego a vida humana”.



Nota: 7.4




07. Olhando Você – Por Bruce Jones e Frank Quitely -

 

“... Minha maior alegria... Meus momentos mais felizes... Eram olhando você... Olhando fixa e interminavelmente para aqueles lábios doces e beijáveis... Aquele nariz delicado e arrebitado, mas o melhor de tudo talvez fosse o êxtase provocado pelos seus olhos... Olhos que me atraiam para uma espiral... Olhos no qual me perdi... Olhos lindos de morrer.”


Não li muita coisa do Bruce Jones, mas vi os desenhos do Quitely em muitas situações, o que tenho de elogiar em ambos é a capacidade que eles tiveram de criar esse conto extremamente perturbador sobre até que ponto um homem se torna submisso por um amor platônico, e o quanto sua esperança cega ele em relação a crueldade das pessoas. Se eu disse mais vou estragar. Nesse arquivo contém outras histórias curtas, as quais eu não li, se alguém ler elas e as achar mais interessante que alguma da lista ou tão instigante quanto, comenta ai.


Nota: 7.8







06. Hellblazer – O Berço – Por Warren Ellis e Tim Bradstreet -


“Uma vez alguém me perguntou se a magia existia. Só se você quiser que ela exista. Só se você quiser.”


Existem três capitas que eu jamais me queixaria de que eles desenhassem qualquer HQ que eu leio: Tim Bradstreet, Brian Bolland e Glen Fabry. Brian Bolland simplesmente não desenhou mais quadrinhos depois de Piada Mortal, porém desenhou bastante coisa antes de ficar só nas capas, Glen Fabry era incomparável dos anos 80 até uma parte dos 2000 com capas de séries como Hellblazer e Preacher, eu via uma capa dele e ficava indignado em ele só ter feito a capa e não todo o conteúdo, e por fim o Tim: Eu conto nos dedos o que eu vi ele desenhar de HQ na vida, e essa daqui, foi a mais longa que eu vi ele ilustrar na minha vida, por tal motivo é uma relíquia para mim, invejo até hoje o Warren Ellis de poder escrever esse roteiro para o Tim desenhar, Ellis não fez a melhor história de sua vida, mas entregou esse conto competente sobre o poder que a crença e psicopatia pode exercer no nosso mundo, bem como faz uma síntese do que o título Hellblazer representa, histórias sobre magia negra e psicopatas que podem acontecer no nosso “mundo real”, o psicopata dessa história pode ser qualquer um, até mesmo seu vizinho...


Nota: 8.0





05. Sandman – “Homens de Boa Fortuna” – Por Neil Gaiman e Zulli



“Duvido que eu seja mais sábio do que há quinhentos anos. Estou mais velho, estive por cima e por baixo, e por cima de novo. Terei aprendido algo? Com meus erros talvez... Mas tive mais tempo para cometer mais erros.”

Vou logo confessar: Não li Sandman até o fim (#75), li apenas até o fim do arco “Estação das Brumas”, e de longe o personagem que eu mais achei interessante foi o Lúcifer. Parei a leitura do Sandman há alguns anos, as primeiras edições foram extasiantes, tanto que a primeira história de todas (#01) me fez achar na época melhor do que Watchmen, algo que eu não diria nunca hoje em dia, o que me fez parar foi que com o passar dos arcos, o que era um quadrinho genial foi reduzindo gradativamente a qualidade, ao menos para mim. Porém um conto me chamou bastante atenção, e resolvi incluí-lo na lista: “Homens de Boa Fortuna”. Nele Morpheus (O deus dos sonhos da mitologia grega, aqui o protagonista desse título) é convidado para uma conversa no bar com uma de suas irmãs: A Morte. Ela vê um individuo em meio à miséria se destacar dos demais exaltando a vida sempre com a mesma máxima “Eu não quero morrer nunca, a morte é coisa de idiotas”, ao qual os dois deuses após um acordo, concedem a imortalidade a esse homem, com a condição de a cada século Morpheus venha lhe perguntar o que ele aprendeu, como passou e se quer ser liberto da “maldição”. Um verdadeiro conto sobre altos e baixos da evolução do mundo, bem como a resistência emocional e física do homem a isso.


Nota: 8.5






04. Hulk – Banner – Por Brian Azzarello e Richard Corben –


“Quanto mais eu lutava, mais ele me afundava... Então perdi a calma.”


Esse aqui eu considero o resultado do Hulk na mais pura essência: Um monstro indestrutível, sanguinário, irracional, uma verdadeira bomba atômica potencializada com membros, e dentro desse pacote, um ser humano atormentado que deve passar toda a vida com esse “câncer” que supostamente é a reprodução de todo o ódio reprimido dele. O Hulk é um personagem densamente simbólico e filosófico, Ang Lee enxergou e expôs isso em um belo filme e foi e ainda é arduamente criticado, infelizmente o grande público ainda enxerga o Hulk como um “troll que faz piadinhas” como em Vingadores... Mas aqui eu aplaudo de pé sobre o quanto Azzarello entrega uma história mostrando reais conseqüências caso um ser como o Hulk existisse, desde das mortes em massa devido de suas destruições irracionais à medidas extremas que Banner tomaria em sua guerra contra si mesmo cujo objetivo é o suicídio pela culpa do monstro que é (ou possui?).


Nota: 8.8





03. Wolverine – O Homem do Poço – Por Jason Aaron e Howard Chaykin –


 “Mas estou ávido para chegar ao meu trabalho. Então eu posso relaxar.”


A história mostra um “cara comum” frustrado com a vida devido agressões do seu pai quando criança, uma carreira de policial mal sucedida e por fim um divorcio. O trabalho desse cara comum é sempre metralhar um homem que fica no fundo do poço, que nunca fala, grita ou demonstra algum desespero: Wolverine. O que ocorre é a sagacidade que Wolverine tem ao começar a conversar com esse cara, e sempre com poucas palavras, manipular ele através da fraqueza emocional para conseguir sair dessa armadilha. A arte de Howard Chaykin dá um tom sombrio e cínico que só esse artista consegue, apesar do roteiro do Aaron ser muito bom, se fosse dado a outro desenhista, algum Ed McGuinness da vida tiraria muito da qualidade do material.



Nota: 9.0






02. Preacher – A Terra das Coisas Ruins – Por Garth Ennis e Steve Dillon –


Jesse Custer é um homem a moda antiga, aprendeu com a vida a resolver na porrada contra as injustiças que vê em seu caminho. Certa vez Jesse disse:

“Minha mãe foi Christina L`angelle, a única boa mulher que saiu de uma família de desgraçados. Meu pai era o soldado John Custer, do pelotão de fuzileiros dos Estados Unidos, e a única coisa que corria nas veias dele eram ferro. Diga mais uma palavra para desonrar a memória deles seu filho da puta imprestável, e eu o matarei agora, não importa a que custo.” (edição #22).

John Custer teve um grande amigo no exército, o soldado conhecido como “Astronauta”, e nessa história é mostrado um real sentido do que é honra e bravura em uma guerra, um grande exemplo de herói para qualquer filho.


Nota: 10.0





01.    Super-Homem – Para o Homem que Tem Tudo – Por Alan Moore e Dave Gibbons –
 

“Mal? Insinuaram que eu estava louco! É verdade, minha teoria estava incorreta, acreditei que Kripton estivesse condenado e me enganei... Isso lhe davam o direito de me escorraçar e deixar a sociedade desmoronar?”


Qualquer ser humano está longe da perfeição ou felicidade, até mesmo o alien Super-Homem. É aniversário do Super-Homem, Batman, Robin e Mulher-Maravilha vão até sua fortaleza da solidão lhe dar presentes e congratular pelo dia, mas o que dá a como diz o título “um homem que tem tudo”? Afinal ele pode voar, é invulnerável, praticamente imortal, força imensurável, não precisa comer, dormir, não sente dor, tem supervelocidade, laser desintegrador nos olhos, o que um ser desse precisa? É o que Alan Moore responde nesse conto mostrando que até mesmo o mais poderoso e supostamente perfeito e feliz é na verdade tão inconformado e frustrado quanto os demais seres. E é investindo em um desejo profundo do Super-Homem que o Alan Moore entregou essa história que me deixou de queixo caído, apesar de ter coisas com a qual eu não concordo, como uma redução explicita da relevância que o Batman tem na batalha (uma forma que Moore tinha em dizer que Batman é só um personagem superestimado, não tão inteligente e pouco útil frente a Liga, já que Alan não concordava com o mesmo). Ainda assim não sou irracional para dizer que essa não foi uma das histórias mais inteligentes que eu li nos últimos anos.
Só que devo acrescentar que o personagem que eu mais achei interessante na história foi Jor-El (pai biológico do Super-Homem), um visionário que vê a sociedade de Kripton começando a se corromper cada vez mais, ficando quase ao nível da humanidade. Alan Moore realmente possuía uma imaginação tão impar para compor uma história, que mais parecia que ele conhecia pessoalmente cada elemento de seus enredos, desde dos cenários aos indivíduos. Um dos poucos roteiristas com o chamado “Toque de Midas para personagens”, é certo que aqui deram a ele o Super-Homem, mas qualquer título que o dessem, ele devolvia com uma história brilhante ao que muitos indagavam como não ter pensado nisso antes.

Nota: 10.0




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